Em Qualquer Cidade de Minas Gerais

Em Qualquer Cidade de Minas Gerais

Sempre tive vontade de registrar o meu dia a dia.Na adolescência, babava de inveja , ao ver colegas que tinham um diário.Ali escreviam seus sonhos, as mágoas , o 1º beijo e tal...Tínhamos uma situação financeira e econômica muito instável e não havia a menor possibilidade de comprar um caderno bem bonito, especial e escrito na capa MEU DIARIO. E assim , a adolescência acabou, veio a vida adulta , a super adulta e enfim cheguei na 3ª idade sem nunca ter realizado esse sonho idiota para alguns , terapia para outros e para muitos como eu ,que ainda tenham a insistência e a teimosia em alimentar a criança existente em nós . Então veio a idéia de criar um blog em que pudesse registrar o cotidiano de uma senhora idosa , sem culpas ou medo do ridículo .Hoje é bem melhor porque a gente escreve para o vento, pra gente mesmo.Totalmente irresponsável e sem compromisso de agradar ou não.Simplesmente pelo prazer de falar do seu dia a dia vivido em qualquer cidade de Minas Gerais ou qualquer espaço físico vivenciado por mim.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Registro de Nascimento


O Registro de Nascimento

Você tem ´arvore genealógica? Não? Não sabe dos seus antepassados? Suas origens? Nem o básico? Mãe, Pai?
Se vc é deste século ,talvez isso não tenha o menor peso.
Mas se nasceu no ano de 1940,isto é, no século passado, aí, não parece muito simples ou comum, até começar a estudar em escola publica.Quando se matriculava numa escola nos anos de 1946 ou 47, e alguém ou todos podiam ter acesso a secretária da escola, teria alguns problemas.
Os problemas surgiam quando no seu registro de nascimento, constava apenas o nome da mãe.Na linha pertencente ao pai, ficava em branco.
Por que será, pelo amor de Deus, não poderiam pensar ser alguma virgem que por obra do Divino Espírito Santo, deu a luz a um anjo?Não naquela época.Ali,naquela linha em branco sem o nome de um homem queria dizer o seguinte da coitada da mãe: mulher sem princípios,pobre, rejeitada por alguém do sexo masculino,sem família para defende-la,baixo nível intelectual, não soube lutar ou morrer para defender sua honra. Literalmente era a escória da sociedade daquele tempo.Quando isto era alastrado por algum professor ou aluno mais atrevido que tivesse acesso as fichas da secretaria,então vc teria sua marca bem registrada. Seria apontada com o dedo.Como eu não entendesse direito o que acontecia, era obrigada a desconfiar de algo muito estranho no reino da Dinamarca.Se a diretora da escola a escolhesse por simpatia ou piedade para eventos da escola,então correria sério risco de ser apedrejada na saída da escola. Seria o bullying que acontece no momento?Acredito que sim, embora na atualidade, se tenha poucos registros no ensino de 1ª a 4ª série, por algum motivo que não quero comentar.Os registros mais assíduos ocorrem a partir da 5 ªe 6ª série.
No meu tempo era discriminada não pelo físico ou algo em mim,mas por falta da escrita de um nome do sexo masculino, numa linha que vinha em branco num pedaço de papel me identificando..Faltava o nome de um homem.pra colocar numa linha destinada taxativamente por um homem, em um papel de registro de nascimento.Ninguem tem nem noção das situações constrangedoras resultantes de tal fato.Resposta errada era ovacionada pelos colegas com os dizeres...”è a sem pai ¨ ...de mãe vadia....Eu não sabia bem do que se tratava , mas sentia algo contra minha mãe.Então, voava em cima do agressor e mordia dava tapa, e chorava sem nem saber direito do que se tratava.Em casa,minha mãe,ficava angustiada por me ver arranhada e despenteada querendo saber o que acontecera.Por instinto, sabia não poder contar o ocorrido.Sentia sem saber , do machucado triste que causaria.Nos duas,sem defesa ou ninguém por nós.Então mentia descararadamente:ah! Foi o menino que me acusou de ter pego sua caixa de lápis de cores...., Nesses momentos,surgiu um anjo da guarda na forma física da diretora de nome Isabel.Ela sabia da minha mãe não saber de nada ocorrido na escola,quando conversava com ela.Acho, que a partir de tais conversações com minha mãe, a Dona Isabel entendeu que eu tinha de agir mais como uma protetora e não como protegida.E ela devia ficar imaginando como uma criança de 6 a 7 anos poderia ter este tipo de comportamento.E assim, se tornou meu anjo de guarda ferrenho.
Graças a ela, a diretora da escola , fui amparada,protegida e guardada contra violências dos colegas ou professores mais insensíveis.Não podia completar exercícios sobre árvore genealogica e nem saberia explicar o porque da inexistência do pai.Porém, mais tarde quando fiquei sabendo da história,bati palmas pra minha mãe, que tinha se recusado a usar o fato da gravidez, para impor alguma responsabilidade, ou por decisão, achar que eu merecia alguém de peso para constar no meu registro de nascimento.E olhe ser a minha mãe, criada na roça, nunca tinha ouvido falar em ética ou definir dignidade.E assim, terminei o primário e admissão em escola pública para o ginásio com certidão de nascimento sempre incompleta.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cais do Porto



http://www.youtube.com/watch?v=rkAmvwBfKKo
O CAIS DO PORTO


O cais do Porto em Vitória ES,era uma área bonita, atrativa e ladeado por uma espécie de muro largo e baixo que dava até pra gente sentar e ficar balançando as pernas, enquanto tomava sorvete de casquinha. Esta espécie de balcão ou murada,separava o mar do passeio da rua.Lá pelos anos de 1951 até 1953,era um dos meus passeios favoritos, embora já ouvisse de norte a sul de Vitória, ser ali um espaço suspeito e não adequado para moças ou senhoras “distintas”.Instigava algumas amigas para o passeio e sempre ouvia a mesma resposta negativa e cheia de horror..Então...ia sozinha.
Andava devagar pra não perder nenhum detalhe dos navios atracados bem ao a longe do cais que iam se iluminando ,nos últimos momentos do entardecer pra receber a noite.Os navios assim iluminados,pareciam lindas casas flutuantes sobre o mar. Dependendo do vento ou da brisa,dava pra se ouvir nitidamente os sons de música, vozes rindo,conversas e movimentos no interior dos navios.
Havia grande preconceito com os moradores das casas flutuantes sobre o mar.Eram chamados de embarcadicíos ou estrangeiros quando estavam em terra.A moça acompanhada por um deles,poderia ficar condenada pela comunidade e provocar comentários tipo:”...Os pais tão sabendo dela andar com embarcadicio?”, “... Quem ? Fulana? Vale nada não...ela anda com embacardicio...”Portanto, hoje entendo melhor minha mãe em prantos ,quando disseram pra ela que eu andava sózinha no Cais no Porto.¨Você quer me matar?¨ ¨Você é uma criança,(já tinha mais de ano que eu ia pro cais) e já ta falada¨ ¨Ainda bem que tava sozinha,mas tava lá.¨Isto depois de uma surra.
Mas hoje,penso que valeu tudo.Ficou um lindo quadro mental onde tudo colaborava para a magia.Lua cheia refletida no mar juntamente com o brilho das luzes acesas daquelas grandes embarcações,o vento falando baixinho e os murmurinhos da maré batendo mansamente nos pedregulhos abaixo da murada.Se eu fosse pintora tentaria transpor pra tela todo este contexto mental.
Como não sou pintora, reafirmo minhas lembranças e consigo ouvir vozes fortes e em bom tom, formado por um coral masculino, no acompanhamento do tango Tristeza Marinha.Eles repetiam tanto esse tango que acabei aprendendo a letra.A música conta a história de um marinheiro que foi pressionado por uma mulher de nome Margo.Ela levou o coitado a escolher: ou o mar ou eu.Ele a amava mas amava o mar também.Ele escolheu o mar e ela então, disse adeus.Ele seguiu solitário e sabendo que sempre chegasse em algum porto, ela nunca o estaria esperando.
Se tiv er interesse em ouvir .kicle aqui



Tú quieres más el mar
que azota el corazón Mi pena es tempestad
que azota el corazón
con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

me dijo con dolor
y el cristal de su voz se quebró.
Recuerdo su mirar
con luz de anochecer
y esta frase como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Yo le dije: "No"
y ella dijo: "Adiós".
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul y
en su pecho colgaba una cruz.

Mar...
Mar, hermano mío...
Mar...
En tu inmensidad
hundo con mi barco carbonero
mi destino prisionero
y mi triste soledad.
Mar...
Yo no tengo a nadie.
Mar...
Ya ni tengo amor.
Sé que cuando al puerto llegue un día
esperando no estará Margó.

Mi pena es tempestad
que azota el corazón
con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

Tal visão de todos cantarem em grupo, me encantava e ao mesmo tempo,entristecia muito,pois parecia que todos que acompanhavam o tango,com suas vozes, tiveram de optar entre uma Margot ou o mar.Me tocava profundo e dava vontade de chorar.
Anos mais tarde, ouvi uma versão de uma música italiana, feita pelo Chico Buarque de Holanda com o titulo de Minha História.Logo a associei ao tango Tristeza Marinha e comecei a imaginar se, por acaso,não tivesse ocorrido um grande desentendimento e a Margo , sem saber da sua gravidez disse adeus.O marinheiro, sem saber que tinha esparramado sua semente no ventre da amada, se foi.O menino Jesus conta então a sua história.
Tem algo sobre o titulo que parece teve de ser mudado pra ser liberada(época da ditadura),já que a música poderia ter cunho político.Então o Chico a registrou com o nome de Menino Jesus.Só depois retornou com o nome de Minha Historia.Não me lembro direito e to com preguiça de pesquisar...
Se alguém quiser ouvir a música do Chico,
http://www.youtube.com/watch?v=66For4DyLOcCLIKE AQUI PRA OUVIR O CHICO

Minha História
Chico Buarque
Composição: Lúcio Dalla / Paola Pallottino
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente, laiá, laiá, laiá, laiá
Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido, cada dia mais curto, laiá, laiá, laiá, laiá
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha história e esse nome que ainda carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá, laiá, laiá

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Reaching Out", de Nelson Mandela


"Nosso medo mais profundo não é que não estamos acima do par, o nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de todos os limites, é a nossa luz, não nossa escuridão que nos assusta mais.
Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, talentoso e fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser?
Você é um filho de Deus. Dar-se ao vivo o seu pleno potencial, não contribuem para o bem-estar do planeta. Não temos nada a ganhar ocupam um lugar muito pequeno para garantir que as pessoas ao nosso redor não se sentem degradadas.
Nós nascemos para irradiar a glória de Deus em nós. Não está presente em algumas pessoas: temos tudo! E fazer nossa luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas o direito de fazê-lo. Quando nos libertamos do nosso próprio medo, que nós ajudamos a nossa presença automaticamente liberta os outros. "
- Nelson Mandala
(Trecho do discurso que proferiu na sua posse como Presidente da República da África do Sul em 1994)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

E Viva o Dia de Hoje.



20 DE OUTUBRO DE 2010 QUARTA FEIRA.


Decididamente, hoje, deveria ter ficado deitada,olhando pro teto, bem quietinha, e mesmo assim,haveria a possibilidade do teto cair sobre minha cabeça.Sabe aqueles dias que o tempo está favorável pra vc curtir feliz...feliz...e feliz e tudo trabalha pra que assim não seja? Pode-se pensar que ou os deuses acordaram(tava dando tudo certo pq eles estavam dormindo) ou, os planetas que te regem estavam brigando entre si e esqueceram dos seus protegidos no nível astrológico ou...,vc não fez suas orações e meditações direito....Quando me levanto pensando em querer ouvir o Luzes da Ribalda do Chaplin ou músicas bem do tipo dolorido e sofrido , como as do Moacir Franco, pra poder me sentir bem infeliz , BEM TRISTONHA, MAGOADA E COITADINHA, é sinal de que o “bicho ta pegando”.Seria mais apropriado que tivesse ficado na cama vendo o canal de comédias, receitas culinárias e me obrigado a refazer minhas orações com mais disciplina.Mas não, fiquei ouvindo o Cartas na Mesa , Eu Nunca Mais vou te Esquecer,Doce Amargura, Pequeno Mundo que acabou, Suave é a Noite e por aí...o pior é a Sombra do Sorriso Teu ,que ponho na repetição pra sofrer mais ainda.Aí, o meu organismo se contrai e tento fazer o maior esforço pra tentar voltar ao hoje.Levanto e me esforço e me arrasto até o chuveiro achando que tudo voltará ao normal após o banho.Acho que todo mundo teve um artista de dor de cotovelo marcando sua existência.Os meus favoritos eram o Moacir Franco e a Maisa.Bom...como disse acima era melhor,ter ficado bem quietinha...
Após o banho, achando que logo tudo voltaria ao normal tentei fonar pra minha irmã Miriam pra ver se queria algo do super mercado, pois levaria a Dolly pra dar o seu passeio e de lá de baixo mesmo iria pras compras.Telefone ocupado.Liguei pra outra amiga pra dar um recado.O fone ocupado.Liguei pro Sr. Jair (MOTOTÁXI DE CONFIANÇA) pra resolver problemas na rua e banco e o fone ocupado.Então liguei pra Embratel .Resposta: A senhora não pagou a conta do mês de setembro e por isto seu telefone foi bloqueado.Graças a Deus e do meu comprovante, e com ele nas mãos tornei a ligar.Achei normal a cobrança, já que caia numa conta encerrada num outro banco.Porém não era este o problema.A OI estava em manutenção e o meu telefone só voltaria ao normal bem a tarde.Estava usando o celular e assim consegui resolver .Tudo bem.Desci e ao ligar o carro ...nada.Tinha esquecido os faróis e sons ligados .Lá se foi a bateria.Volto e combino com a Casa das Baterias e também foi resolvido com o enxerto de bateria do profissional.Mas enquanto ligava o carro pra testar a bateria, vi o tempo há muito vencido, da troca de óleo.Combinei então que a partir do horário do almoço , o profissional levaria o carro e trocaria o óleo e etc.No horário marcado ele veio buscar o carro e me pediu os documentos dos carro.Prontamente peguei uma carteira muito e muito antiga onde se eu tirar algo ,tipo qualquer documento dela, me perco totalmente.E AÍ, CADE OS DOCUMENTO DO CARRO?Não estavam lá.Fiquei louca.Alguem tirou, eu perdi, Me questionei...O que está acontecendo? Desde o momento que levantei...O que ta havendo???
Conclusão: Sai da Delegacia de Policia com o papel em mãos comprovando o extravio da documentação do carro e fui pra Delegacia de Trânsito pra requerer a 2ª via dos documentos. Até chegar ,não poderei sair dirigindo.Só amanhã, após pagar o boleto de trânsito,retornarei á Delegacia de TrÃNSITO PRA CONSEGUIR 2ª via e continuar a caminhada.
Foi um dia de comprovações, já que esperava uma tranqüila , bela vivencia e comemorações do maravilhoso dia de aconchego e sem problemas( oh doce ilusão nesta dimensão), já, neste momento sublime de libertação de compromissos inuteis, exigidos, nesta dimensão.
Agora já sei...quando tais manifestações musicais insistirem e o meu organismo precisar de força externa do planeta pra continuar existindo nesta dimensão, é o 8ª sentido se manifestando e pedindo obediência..Então, nada mais que obedecer.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Interior da Ibituruna



Cheguei em casa muito cansada do trabalho,coloquei o sino nas mãos da minha mãe no caso de precisar de mim(ela estava em fase terminal de um cancer no pulmão) e, me recostei na cama, meia sentada com travesseiros me escorando nas costas.Cerrei os olhos e imediatamente alguém tocou no meu ombro direito, por trás, e me levantou.Comecei a deslizar, em pé e sem movimentar pés e pernas, no ar, com alguém que não conseguia ver , porque estava também de pé, atrás de mim.Sem entender direito o que acontecia, me via deslizando, em direção a Ibituruna.Tentava olhar pra trás pra ver o que era, e não conseguia.Entramos pela frente..Só que SONHO NO INTERIOR DA IBITURUNA
a frente ,como a vemos era fundo de um lugar.As paredes retas como de qualquer edifício eram de pedras onduladas.. e muito altas.Era como se fosse uma sacristia de igreja.Havia um longo caminho que levava para um grande portal que seria , ai sim, a porta da frente ou .principal.Ladeando este caminho, de um lado e do outro,havia muitas arquibancadas bem largas de pedras.Lembrava as arquibancadas de um campo de footbol.Havia muitas pessoas sentadas e deitadas nestas arquibancadas.
Sem mais a mão no meu ombro, e andando normal, me encaminhei para a porta principal completamente surpresa , temerosa e pensando se alguém acreditaria que a frente da Ibituruna seria os fundos de uma espécie de igreja.Mas que igreja? Não via nenhum símbolo, nada...Todo este espaço parecia estar numa penumbra suave. A claridade maior vinha do portal pra onde estava me dirigindo.
Quando o alcancei, mal podia acreditar...,dei de frente com uma pequena praça .Como as pracinhas de cidade do interior.Só que ela estava num terreno bem irregular e dali apontava caminhos ,ruas em forma de ladeiras pra não sei aonde.Quase todas as ruas desciam em forma de ladeira.Os caminhos subiam levemente e alguns eram bem planos.
INCRIVEL! Uma cidade pequena com pracinha ,comércio e toda uma vivência dentro da IBITURUNA!!
Sem saber o que fazer, me dirigi a uma pequena relojoaria ,pertencentes, acho, a dois homens altos brancos, e cabelos lisos e bem pretos, penteados pra trás.As vitrines estavam com muitas pedras preciosas e coloridas e vários relógios.Perguntei: ¨por favor, como faço para voltar para Valadares?¨Um deles falou: ¨tá vendo aquele caminho a esquerda na direção do meio da praça? Suba um pouco e encontrará um portão pintado de azul¨O outro completou:¨ La está a pessoa que vai ensinar como voltar¨. Assim fiz e quando estava no meio do caminho, começou a chover .Pensei que o meu cabelo ia molhar todo.E aí, voltei correndo, protegendo a cabeça.Nesta volta, deparei com um padre muito conhecido e amigo de Valadares.Ele estava sentado numa esquina da praça, com um imenso tabuleiro quadrado, sobre o colo .No tabuleiro tinha um enorme carneiro assado.Parece , esperava alguém para busca-lo, não sei...Nossos olhares se encontraram e já ia me dirigir a ele quando o seu olhar se desviou, como não querendo ser reconhecido.Dei meia volta e entrei num novo caminho onde parecia haver uma vila de casas.Entrei no 1º portão ,bati palmas e veio uma senhora.Pedi novamente informações de como faria pra voltar para Valadares.Ela me informou que teria de retornar ao portão principal e entrar.E assim fiz.Acordei com travesseiros caídos no chão.Me sentei na cama , ainda indecisa ,sem saber direito se tudo aquilo tinha sido mesmo real, tal a força com que vivenciei.
Até hoje, 16 anos passados, as vezes tenho a nítida impressão de que tudo aconteceu mesmo.Foi tudo real, eu estive dentro da Ibituruna.Se eu encontrar os donos da relojoaria ou a senhora que me informou, com certeza os reconhecerei, tal os detalhes de suas características físicas.Como é possível?...

sábado, 25 de setembro de 2010

Encontro Insolito



Encontro Insólito

Como gostaria de te-la encontrado neste seu tempo de 13 anos.Como gostaria de ter batido um papo com você. Tenho certeza do seu entendimento e das varias noites que dormiria pensando no como poderia ter sido possível ter me encontrado aos 66anos de idade.Como também tenho certeza,no seu guardar a 7 chaves do acontecimento.Seria mais um dos seus grandes segredos....Lembra quando 2 anos após os seus 13 anos, você estava numa estação ferroviária,muito deprimida,chorando, sem saber se deveria ou não embarcar num trem de passageiros?E já ia desistindo de ir quando uma mão a impediu de pegar sua mala e você viu de relance uma senhora na companhia do marido, bem vestida,tentando tocar no seu braço, querendo impedi-la de pegar sua mala pra voltar. você me olhou nos olhos e eu pude dizer.”Pelo amor de Deus VÁ”.Vi seu olhar de incredulidade e a vi me procurando.Foi tudo muito rápido e tão forte que imediatamente largou a alça da mala e se sentou para sua 1ª viagem para Valadares.Lembra? Não sei explicar isto, só sei de um sonho que tive, onde me encontrava na estação ferroviária daqui de Valadares, com meu marido, aguardando a chegada da minha mãe de Vitória. No sonho,ambos estavam vivos,porém aos 66 anos tanto minha mãe como meu marido já tinham feito a grande viagem.Então, me vi dentro de um vagão tentando impedir uma menina de pegar uma mala que não era dela e sim da minha mãe.Me lembro acordando com tais palavras...”Pelo amor de Deus và”.E você viajou pensando se vira mesmo alguém ...ou,ouvira alguem falando pra ir.Até hoje,me lembro deste acontecimento e não sei como foi possível tal encontro se eu estava na estação de Valadares(no sonho) e você na estação de Vitória vindo pra Valadares...
Mas nesta sua idade de 13 anos é que gostaria de te-la encontrado de forma tão insólita.Quem sabe não poderia ter falado coisas e coisas que evitariam que você sofresse tanto...
Hoje, me sinto emocionada ao ver olhar tão inocente,tão puro, imaginando ser o seu maior pecado o de ter roubado dinheiro da sua mãe pra comprar um batom e usa-lo escondida.Ele era guardado com muito cuidado e todas as vezes que saia o levava, passava nos lábios e antes de chegar em casa limpava a boca.Isto porque suas coleguinhas mais velhas usavam e você achava lindo.Não posso deixar de rir ao vê-la confessando pro padre o seu grande pecado.Dizendo do seu medo de por isto,as fadas, os anjos e a senhora abandona-la.
Muitas alegrias chegaram e entre elas a amorosidade da Dona Isabel, diretora da escola,Dona Halza sempre a protegendo e ensinando o catecismo no pátio da escola para prepara-la para a 1ª Comunhão.E, quando foi escolhida como pelotão na parada de 7 de setembro, foi a glória...O difícil e doloroso foi ter conseguido o uniforme de gala da escola.Lembra? Saia branca de fustão,camisa branca.O problema era o tênis.Era emprestado e um número menor que o seu pé.Mesmo assim, com pés queimando ,conseguiu desfilar com todo orgulho na parada de 7 de setembro.Muito especial aquele momento,.VocÊ FICOU MUITISSIMO FELIZ.
Talvez, tais momentos não deixaram sair do seu olhar a esperança.O seu olhar aí, é de esperança.
Minha querida criança que bom vê-la com tanta amorosidade e perceber que uma parte existente da sua essência iluminada, perdurará pela eternidade. Graças a Deus.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010



Domingo 10/09/10
Finais Felizes

Como me emociono com finais felizes, quando tudo termina bem em filmes ou novelas.Acabei de ver um filme assim, com desenrolar de tensão suportável e final feliz.A gente se sente alegre e tranqüila.É bem provável que viva num mundo só meu, bem particular e escondido de todos, onde só há beleza, muitas amizades e grandes finais felizes.Tento embelezar tudo a minha volta.Desde o meu espaço físico até o não físico.No inicio me preocupava por que só encontrava tais características em semelhantes com algum retardo mental, drogado ou baixo nível intelectual.Mas a medida que ia tendo outras vivencias,descobri ser possível,uma grande tendência de certos seres, a criar seu próprio bálsamo.Existem seres com vida física tão difícil,cansativa mesmo , de força bruta e mesmo assim,conseguem criar e materializar de algum modo, a sua volta, aquilo existente no fundo do seu interior. Uma vez estive bem no interior, chamado de zona rural e entrei numa modesta casa e fiquei deslumbrada com a decoração.Numa parede , de alto a baixo, havia quadros feitos (molduras) pela dona da casa com retratos dos seus antepassados; pais, avós,parentes, amigos.A disposição dos retratos e o colorido das molduras enfeitavam a parede de modo peculiar.Na entrada um lindo tapete de retalhos davam as boas vindas e bancos rústicos, no lugar de sofás davam toque especial com almofadas coloridas e recheadas de palha de milho..Na cozinha,um extenso pano bordado pendurado na parede, engomado, como se fosse um grande painel, com divisões para todos os talheres.Nesta cozinha, conhecida pela construção simples como o “chamado puxadinho”, era coberta por telhado que se estendia, entrando no imenso quintal todo arborizado.Um fogão de lenha, enfeitado no alto com muitos cachos de banana verde pendurados e lingüiças feitas em dia que se mata porco. Várias latas da mesma altura, pintadas e com belas plantas completava o visual.Os moradores são agricultores.Trabalham sob sol escaldante desde as 5 horas da manhã até mais ou menos 5 da tarde.Não há TV, internet ou revistas de decoração.Acredito que a dona da casa,tenta exteriorizar o seu interior em tudo aquilo que a cerca. Contatos com o mundo?Só mesmo o velho radinho de pilha e um violão para acompanhar as histórias sertanejas.Os anfitriões deste mundo encantado? São alegres, risonhos e faz questão dos convidados experimentarem todos os licores e doces(feito em casa) numa energia mágica.

Daí, descubro da alegria deles nas lutas árduas do dia a dia .Eles conseguem gostar de verdade do que fazem.Como descobri? Pelo entusiasmo e brilho nos olhos quando contam seu dia a dia. Quase me convencem de que cuidar da terra,plantar e colher são dádivas divinas.Embora admire o INTERIOR DELES,é bem difícil pra mim, me imaginar cansada, suada chegando deste tipo de labuta e ainda ter animo pra tomar um banho,preparar o jantar CANTANDO,podem acreditar.Em seguida, dar uma geral na casa, terminar o doce que foi iniciado no dia anterior, “jogar conversa fora” e preparar(olha o planejamento ai,gente!), a rotina do dia seguinte.O final feliz deles, neste dia, inicia as 20:30 no máximo,quando estarão acomodados e dormindo o sono dos justos.
Gostaria da existência no externo, tudo aquilo imaginado no meu interior.Só o lado bonito.Podem me chamar de alienada ou num ta vendo a violência imperando?,E a desigualdade gritante social?Será que vc não é , louca ou anormal?,Como na Balada do Louco da música da Rita Lee...¨Dizem que sou louca, por eu ser assim...mas louco é quem me diz ,que não é feliz...não é feliz...eu juro que é o melhor não ser o normal se eu posso pensar, que Deus sou eu...?¨
Louca ou não, acho ser eu uma mediocre cinderela deslumbrada.Vivo torcendo bastante os personagens da antigas histórias onde o príncipe salvador seria a grande amizade e o amor entre todos os seres...,a madrasta, representaria a mídia violenta e os anões seriam os anjos.
Então, poderíamos até entrar no Imagine do John Lennon e tudo seria perfeito...
Por isto me encanto com a possibilidade de certos cineastas terminarem seus filmes especialmente para pessoas como eu: fã de finais felizes .No momento, me vejo cansada e impossibilitada de assistir toneladas de violência .A preferencia de algumas amigas da mesma faixa etária minha, são de filmes de ação...adrenalina funcionando, dizem elas...Fico muito cansada e to tendo taquicardia durante tais filmagens.E se tal filme, apresenta iluminação e música ligada e annciando perigo, para amenizar,no auge de momentos de tais momentos e tensão mudo o canal e fico aguardando passar o perigo pra retornar ao filme.Não é problema de velhice não.Desde a infância,me lembro de fechar os olhos e aguardar a passagem do perigo nos cinemas da época.

Após o perigo abria os olhos aliviada e continuava a assistir prevendo um final feliz, como sempre acontecia, nas histórias da colonização americana ou inglesa na luta pelas terras indígenas onde índios e estrangeiros se davam as mãos em sinal de união feliz. Sabemos infelizmente, que não foi bem assim... Porém, na época, era tranqüilizador imaginar que assim seria. Ingenuamente,passávamos o contexto,sem saber, para a vida real .Agora pensando bem ,acho saber mais da história deles do que a do Brasil,dada a enchorrada(nem sei se é assim q se escreve)da cultura americana.Desde filmes até as músicas americanas, insistentes nas rádios. De qualquer forma,os finais sempre agradavam adolescentes românticos que nem eu.