Em Qualquer Cidade de Minas Gerais

Em Qualquer Cidade de Minas Gerais

Sempre tive vontade de registrar o meu dia a dia.Na adolescência, babava de inveja , ao ver colegas que tinham um diário.Ali escreviam seus sonhos, as mágoas , o 1º beijo e tal...Tínhamos uma situação financeira e econômica muito instável e não havia a menor possibilidade de comprar um caderno bem bonito, especial e escrito na capa MEU DIARIO. E assim , a adolescência acabou, veio a vida adulta , a super adulta e enfim cheguei na 3ª idade sem nunca ter realizado esse sonho idiota para alguns , terapia para outros e para muitos como eu ,que ainda tenham a insistência e a teimosia em alimentar a criança existente em nós . Então veio a idéia de criar um blog em que pudesse registrar o cotidiano de uma senhora idosa , sem culpas ou medo do ridículo .Hoje é bem melhor porque a gente escreve para o vento, pra gente mesmo.Totalmente irresponsável e sem compromisso de agradar ou não.Simplesmente pelo prazer de falar do seu dia a dia vivido em qualquer cidade de Minas Gerais ou qualquer espaço físico vivenciado por mim.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

MARIA ABENÇOADA



MARIA ABENÇOADA.

Lá se foi uma amiga muito e muito querida que nunca deixou de estar presente nos momentos mais decisivos da minha vida.Ela se chamava Maria e quando a conheci, logo que chegou a Valadares,dava aulas de Ioga para mulheres e seu marido dava Ioga para homens.Ela tinha sido criada pela família do marido.Seu nome, Antonio.Ele tinha fortes tendências para a vida religiosa e se preparou para seguir sua vida. Cumpriu todos as regras e estudos no Seminário e se tornou padre.Maria então, se tornou freira.Quando ele alcançou o bispado, aliás o 1º bispo no Brasil a renunciar , eles descobriram o grande amor que os envolvia.Ambos renunciaram e se uniram.Ninguém tem a menor noção de como esse casal ajudou E UNIU casais em conflito, aqui em Valadares.Só a mais ou menos 6 anos atrás, o Papa liberou o casamento de ambos pelos rituais católicos.
Imagine o sofrimento pra pessoas profundamente católicos,suportarem tal situação.
Eles começaram a crescer a partir do momento que pegaram a franquia do Finsk pra Valadares e o Professor Antonio(como ficou conhecido) dando aulas nas Faculdades de Administração e Direito de Valadares.Estavam sempre tentando e trazendo cursos para melhorar as pessoas em Valadares.Entre eles o “Control Mind”, que me fez tão bem.Através das técnicas desse curso, pude diminuir 80º do meu problema de enxaqueca.Fundaram a Escola Mariam,sem fins lucrativos, especialmente para preparar empregadas domésticas e donas de casa a iniciarem sua vida doméstica.
Quando anos mais tarde, retornaram de um longo passeio na Índia, me convidaram pra ver vídeos que de lá trouxeram , inclusive uma entrevista com Maria Tereza de Calcutá e fitas de cânticos lindíssimas para meditação,que guardo e ouço com o maior carinho.
Eram muito ecléticos.Respeitavam e colaboravam com movimentos Espírita, budismo, Seicho-no-ie ,Ioga e palestras evangélicas .Quando fizeram reforma na linda casa que moravam, fizeram de um cômodo, uma linda capela com todos os aparatos de uma pequena igreja católica.
Algo que nunca poderei esquecer foi quando da morte da minha mãe.Maria veio a minha casa na véspera da ida da mamãe.Ela me perguntou: ¨você precisa de algo? Posso ajudar em alguma coisa?¨ Respondi:¨não, muito obrigada,pois está tudo sob controle¨. Ela então fez um cheque e disse: “ vou deixar um tanto aqui e se precisar use-o, pois estou apenas sendo instrumento”.
Agradeci e o coloquei,sem mesmo ver quanto era de tão embaraçada que fiquei , embaixo de um adorno .No outro dia minha mãe se foi e quando meu filho me disse quanto era, todo aquele ritual de caixão,sepultura e tal, falei pra ele: Pega o cheque da Maria e vê se ajuda.Ele obedeceu e falou: “ mãe não só ajuda mas dá pra cobrir tudo”.Foi um grande alivio pois estava numa situação difícil, já que não tínhamos nenhum plano de saúde naquela época.Então posso dizer, ser a Maria um anjo enviado por Deus.Como ela apareceu justamente nas vésperas da ida da mamãe?Como ela sabia o total de dinheiro gasto em um funeral?No enterro da mamãe, lá estava ela rezando comigo o salmo 23, o preferido da minha mãe.
Seu aniversário era 14 de abril.Nesse dia, nas minhas meditações,sempre a imaginava coberta por uma luz faiscante roxo batata e sorrindo.Quando podia, enviava flores com apenas os dizeres: OBRIGADA.
Nas nossas discussões, falamos muito sobre o além morte.Por isso sei que ao acordar em outra dimensão,ela continuará seu aprendizado com energia diferente, substituindo a emanada pelo seu corpo físico nessa dimensão.PAZ E AMOR NA CONTINUAÇÃO DO SEU VIVER DIFERENTE.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011



Milagre Gozador de Santo Antonio.


Tive muita sorte em ter encontrado na minha vida profissional 2 diretores de escola bem diferentes de todos os que passaram por mim.A minha 1ª diretora realmente se interessava por professores que gostasse e tivesse bastante interesse por crianças.Ela priorizava muito aquele professor que arrumava tempo e fosse in loco saber o motivo de faltas e doenças dos alunos.No caso de doenças, tentasse consultas de cortesia e remedios gratuitos pra que retornassem as aulas.Fiquei com ela 5 anos initerruptos, sendo o último ano, dando aulas na área do recreio e cantina, pra que não ficasse desempregada, pois a partir daí, os contratos seriam feitos exclusivamente pela Delegacia de Ensino e não mais diretores de escola.
Como professora contratada, o meu maior medo, quando começava o mês de novembro, era se conseguiria contrato para o próximo ano.Os requisitos oficiais eu nem olhava,pois sabia que na prática funcionava assim: 1º requisito era nenhuma falta; 2º, seguir na íntegra as SUGESTÕES vindas da Secretaria do Estado da Educação no seu planejamento; 3º, diários bem feitos; e por último, seu desempenho e competência.Poderia até faltar os últimos requisitos, mas se fosse sempre presente e tivesse diários que não trouxessem nenhum problema pra secretaria,o lugar estava garantido.
Nos bastidores você teria de estudar um manual de DIPLOMACIA, pesquisado por você mesma,sem ninguém saber.Os estudos feitos que eu fazia a respeito, faria inveja a qualquer candidato pleiteando um cargo de diplomata, embaixador ou cônsul.Os colegas eram de níveis variados e por qualquer comentário “inadequado”, poderiam tomar não como algo profissional, mas sim pessoal e se sentiam muito ofendidos.TODO CUIDADO ERA POUCO...
Então, como devota de Santo Antonio,fiz uma trezena para quando saísse da 1ª diretora, tivesse emprego garantido.Se é coincidência ou não, o lugar pra onde me destinaram era NO BAIRRO SANTO ANTONIO E O NOME DA ESCOLA ERA ESCOLA ESTADUAL SANTO ANTONIO.Dá pra acreditar?
Essa escola ficava bem no alto de um morro bem íngreme.Você tinha de subir a pé,encurvada pra frente,pois se ficasse ereta, corria o risco de cair virada pra trás.Sua subida a pé, demorava 24 minutos.Meu horário era 12:45 em sala.Tinha de levar sombrinha, pois o sol em Valadares nesse horário fica muito zangado.O calor ali devia ir pra 45 graus.Quando chegasse lá em cima , se alguém pusesse a mão na sua boca com certeza você cairia desmaiada.
Então, tinha de deixar o carro lá em baixo.O problema maior era quando chovia.Como o morro era de terra batida,com a chuva ficava igual a estrada de quiabo.Subia uma passada e escorregava 4 pra trás.Logo contratei os serviços de um garoto que se apegava nas folhagens da beirada do caminho, segurando um cabo de vassoura numa ponta e eu na outra ponta.Ele me levava assim até lá em cima.Nesses casos, quando o caminho virava uma cachoeira de lama, tinha de levar embrulhado num plástico, roupas limpas pra se trocar antes de entrar em sala de aula.
Quando se notava temporal se formando, a diretora soltava alunos e professores mais cedo.Num desses dias escuros e raios caindo pra todo lado, e um bando de professores correndo caminho a baixo com medo dos raios pegarem algum tronco de árvore servindo de poste da luz elétrica,gritei bem alto:É SANTO ANTONIO,O SENHOR NÃO ME PEGA MAIS NÃO.NUNCA MAIS VOU FAZER TREZENA, NOVENA OU QUALQUER OUTRO PEDIDO.Muita sacanagem...
E assim, trabalhei 5 anos nessa escola

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Minha Mãe e Meu Padrasto




Minha Mãe e Meu Padrasto

Meu padrasto era português naturalizado.Quase em todos os natais da minha infância,o poder da sua cultura nos alcançava.Minha mãe, meu irmão e eu.Ele mandava tudo aquilo de que tinha sido acostumado a comemorar nessas datas.Então, recebíamos sacolas de nozes,que quebrávamos no vão da porta. (abríamos a porta e colocávamos as nozes ou castanhas na dobradura e ao fechar aporta, elas se quebravam), as castanhas cozidas pela minha mãe, doces secos tipo figos e outros tão comuns na terra dele, Portugal.Ele trabalhava com exportação de café e cacau.
Houve uma época em que o funcionário que trabalhasse mais de 10 anos numa firma, se tornava sócio de tal firma.Era o caso dele.Então seu contato com navios era intenso e daí, ganhávamos caixas e mais caixas de leite em pó,aveia, frango e doces enlatados.Eu adorava.Sempre tínhamos mingau de aveia de manhã.Não posso me queixar da minha alimentação durante minha infância.Dava boas vindas a tudo que pudesse me livrar, um pouco, das verduras da mamãe.Ela tinha o que se chama de ¨dedo verde¨.Qualquer pedaço de terra, ela logo transformava em pequena horta.Me lembro de uma parreira de chuchu enfeitando um pedaço do quintal e dava tanto chuchu, que eram dados para os vizinhos da rua e tínhamos de consumir xuxú quase todo dia.Ela até inventou uma moqueca de ovos com chuchu.Como sabia plantar, tínhamos alface,maxixe,couve,tomates cenouras e etc.Mesmo assim,eu continuava a reclamar, pois diariamente , comíamos peixe (era o mais barato.Raramente comíamos carne de boi pq era muito e muito caro),e o frango enlatado era só para os domingos.
O meu padrasto era um bom homem.Ele amava minha mãe e devido a esse sentimento,se preocupava muito comigo.Me lembro ao terminar o admissão para o ginásio, ele chegou em casa anunciando ter me matriculado numa escola de datilografia. Até pouco tempo,ainda tinha o certificado de término do curso.Engraçado ter estudado algo tão importante naquela época, hoje totalmente obsoleto.Eles se desentendiam, brigavam mas daí a pouco estavam novamente juntos.Ele se preocupava com minha educação e assinava tudo que fosse documento escolar.Mamãe só quis se mandar pra roça novamente, quando ele escorregou na bola e teve um caso com uma amiga sua.Nunca mais minha mãe foi a mesma.O seu sonho era arrumar um modo de ficar independente e deixa-lo.Como só sabia trabalhar na roça, ficava tentando voltar, porém tinha eu estudando, como faria?Me sinto muito responsável por ela ter continuado com ele.Não pela situação em si pois vejo traição nos relacionamentos como algo muito físico, sem nada a ver com o coração.Mas pela cabeça da minha mãe, isso de infidelidade, não caberia. E mesmo se violentando, teve que continuar ao lado dele.
Ela era uma mulher de muita fibra.Aprendeu a ler praticamente sozinha ,tal a ânsia que tinha em saber ler.Iniciou prestando atenção nos sons da grafia das letras na bíblia.Alguem explica aqui, outros explicam dali e assim,lia vagarosamente pra mim, histórias e mais histórias..Sim porque quando entrei pra escola ela já sabia ler, muito vagarosamente mas lia.Meu padrasto colaborava trazendo livros de histórias para crianças com letras grandes.Além disso ela tinha um dom pra contar história.Era uma delicia ouvi-la contando suas histórias de vida ou que ouvira da vovó Brasilina.
Mamãe tinha noções fortes de economia doméstica e aproveitava tudo.Os ternos mais velhos do meu padrasto eram transformados,após virarem do avesso, em taier,ou seja,a calça virava saia e o paletó o casaco.(taier naquela época corresponderia a saia e blaser de hoje).Sacos de estopa, viravam lindos tapetes em ponto de cruz sempre com motivos de animais.Minha s calcinhas intimas eram feitas de sacos de trigo lavados, alvejados e enfeitados nas beiradas com cianinha ou ponto russo.Ela fazia ponto paris pra fora.Cobrava por metro.Também se orientava pelas revistas da época, Jornal das Moças e FonFon.Acredito de tudo isto ter atraído meu padrasto com nível de estudo bem mais elevado.Quando ele esteve em Portugal,trouxe uma imagem da Senhora de Fátima em forma de uma caixinha de música.Era uma imagem linda que no escuro brilhava tanto que poderia servir de abajour.Juntava gente da vizinhança pra ver a imagem que brilhava no escuro.Era algo inexistente aqui no Brasil.Quando dava corda tocava o hino de Fátima...¨há treze de maio na cova da Iria apareceu brilhante a Virgem Maria...¨Esse presente chegou exatamente quando mamãe pensava seriamente em deixar meu padrasto.Porém, foi ele quem a deixou para a grande viagem após anos e anos mais tarde.Logo depois meu marido também fez a grande viagem e então mamãe veio morar comigo.Após 12 anos comigo ela também fez a grande viagem.Na véspera da sua viagem,rimos muito e eu lia as histórias de contos de fada que tanto gostava..Relembramos as músicas da Carmen Miranda que ela cantava tanto e eu encenava e fazia palhaçadas imitando-a. Ela ria tanto que pediu o remédio pra dormir.Eram quase 3 horas da madrugada. Suas últimas palavras foram: “ filha vai descansar, estou com a boca doendo de tanto rir. Deus te abençoe”Daí entrou em coma que só descobri as 4 horas do dia seguinte.E assim ela se foi.Pensei não conseguir sobreviver sem sua presença.Mas...ainda estou por aqui.De vez em quando sinto sua presença tão forte,principalmente quando acordo de manhã.Acordo com a sensação de ter mais gente aqui.Por segundos esqueço que ela se foi.

sábado, 29 de janeiro de 2011

O ANJO MANOEL


O ANJO MANOEL

Numa noite na véspera de Natal, uma menina moça chorava compulsivamente.Estava encolhida, debaixo de uma escadaria de cimento.Ela estava bem longe da sua mãe e naquele momento, desejava ardentemente dormir na sua velha e conhecida cama Patente.Era muito forte o desejo de sentir as mãos maternas acariciando sua testa e se estendendo por seus cabelos.Em posição fetal, escondia sua cabeça que balançava com a força das suas emoções.Ao ouvir passos, se assustou e levantou o rosto.A iluminação do poste estava exatamente sobre a imagem de um homem muito e muito alto.A principio pensou ser uma aparição, aos poucos percebeu ser um belo homem de cabelos e olhos negros e um imenso bigode.Se sentiu mais tranquila quando ele perguntou: “ o que aconteceu? Por que chora tanto?” Ela contou o motivo e a impossibilidade de sair naquela noite.
Ele fez a seguinte proposta:¨daqui até onde está sua mãe,são mais ou menos 4 a 5 horas de carro.Se sairmos agora, você estará com ela lá pelas 5 horas da manhã e passará o Natal junto a sua mãe¨.
A menina moça subiu as escadas e pegou alguns pertences, desceu entrou no carro daquela aparente aparição e se foi com ele.Nunca o tinha visto.Mas ele inspirava tal confiança que parecia ser um velho conhecido. A menina moça não teve a menor dúvida em acompanhar aquele ser.
Durante o trajeto ele lhe mostrou retratos de dois filhos e um retrato maior dos seus pais que moravam na Espanha.A mãe era muito linda com uma mantilha sobre a cabeça.O pai era ele mesmo, tal a semelhança.
Segundo ele, o amor dos seus pais, se desenvolveu através das colheitas de uvas, onde um cantava Los Pioneros e o outro, em local bem distante respondia completando a canção.
Até ai, a comunicação era só através de olhares.Ambas as famílias eram muito rígidas e até chegar as vias de fato, só se comunicavam pelos olhos e pelas canções.Entre elas,Los Pioneros.(clássico da música popular espanhola)Se quiser conhecerKICLE AQUI.
Então, Manoel(era esse o seu nome),cantava lindamente a música principal dos pais e outras em tom de flamingo, bem alto e voz de tenor.Assim foi viagem deles.Puro encantamento e Manoel sempre cantando músicas em espanhol, da sua infância e de seus pais.Quando ele disse chegamos, a menina moça mal acreditou que tivessem já ocorrido 5 horas.Pra ela, eles viajaram apenas 1 hora.Disseram Feliz Natal um para o outro e, NUNCA MAIS SE VIRAM.
A menina moça o procurou como se procura uma agulha no palheiro.Ninguem tinha visto e nem sabia dele.No hotel que ele deu referencia onde iria ficar, ninguém o viu.Se evaporou.Ele a deixou em frente a casa da sua mãe.Perguntou se alguém a tinha visto chegar, disseram sim, mas sozinha.Ela insistiu, mas vc não me viu chegando num carro x acompanhada de um homem moreno de bigode? Não.Voce chegou sozinha.
A menina moça se convenceu de ter estado com um anjo.O anjo Manoel.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011




MINHA BISAVÓ BRASILINA, SIM SENHOR!

Tem um velho ditado sempre repetido por minha mãe, na tentativa de passar pra mim....”quem nasceu pra dois mil réis, nunca chega a um milhão”.Olha só que coisa mais predestinada, limitada e desestimulante...,isto era lembrado quando eu tava imaginando coisas impossíveis pra cabeça sofrida e acostumada a resignação da mamãe. Qualquer obstáculo era como uma espécie de aviso pra retornar à sua condição de resignada com o ¨destino¨.Havia no ar uma certa ameaça de castigo,se insistisse, ante obstáculos,pra ela, intransponíveis a nível mental.Segundo sua fala, tudo tinha que ter ação física.Trabalho pesado,sofrido e de preferência com sol escaldante na cabeça.Assim ela tinha sido criada. Plantando,colhendo e nas horas vagas, fazendo remendos, ou com o socador de pilão(espécie de liquidificador na roça de muitos anos atrás) nas mãos, fazendo grãos de milho, arroz e raízes se transformarem em alimentos, a serem consumidos pela imensa família.E mesmo assim, enquanto agia com o corpo sua mente imaginava algo melhor.Segundo ela, enquanto com a enxada na mão,ouvia da escola ,professora ensinando a ler para alunos e entre eles, meu tio e seu irmão gêmeo fraterno(aos homens era necessário aprender a ler e escrever), lágrimas escorriam de vontade de lá estar ,também aprendendo.Havia uma incoerência com o ditado que apregoava e o existente pra valer no seu interior.Já com 10 anos captei a repetição como uma espécie de lealdade para com sua família e reformulei o ditado como: “quem nasceu pra dois mil réis,pode sim,chegar a um milhão.”
Naquele tempo infantil da minha mãe,só ficaria livre do trabalho bruto quem estivesse pra morrer.Foi mais ou menos o caso dela, desde o surgimento de uma ferida na sua perna esquerda.A falta total de assistência médica mais um pouco de conformismo na base do¨num adianta lutar..¨, mais o tempo passando,aumentaram o tamanho da ferida a ponto de não poder mais andar.Ela se arrastava. Não foi mais pra roça e ficava em casa sempre com panos enrolados na perna , pra dar conta do almoço e lanche pra ser enviado para as lavouras.Dessa forma, lá vinha o velho ditado se afirmando...¨não adianta...nasci pra viver assim...,nunca vou sair dessa vida¨
A tal ferida quase alcançou de um lado ao outro da perna.Ela achava que perderia a perna quando os lados se encontrassem.Fico imaginando- a se arrastando, com dores, sem carinho,pois minha avó era muito rígida e poderia até achar que tal estado teria sido inventado por ela, pra não ficar trabalhando.A salvação veio da minha amada bisavó num momento triste da sua vida. Separou-se do meu bisavô por ele ter se encantado por outra mulher.Deve ter sido muito difícil enfrentar uma separação com quase 50 anos de casados.Tiveram 19 filhos.Ela juntou os seis filhos solteiros, disse adeus e foi morar com a filha mais velha, minha avó. Minha bisavó era parteira e entendia seu trabalho como missão, dom de Deus.Era inútil querer pagar por seus trabalhos.Se insistisse,ela tomava como ofensa.Além disso era quitandeira.Ou seja, era chamada pra fazer doces, assar leitoas e tudo para um casamento na roça.
Por quitandeira ela cobrava.As vezes ficava de uma à duas semanas em fazendas ou regiões mais afastadas, trabalhando dia e noite.Fazia doce de feijão, mamão,banana,figos,casca de laranjas, limão,goiabas e bolos e pães.Enchia tonéis de vários tipos de doces. Matava, limpava e assava pequenas leitoas,frangos e carnes de boi.Assim, conseguiu com sucesso, a sobrevivência dos seus filhos e ainda ajudava minha avó.
Com seus conhecimentos de ervas, emplastos e sei lá mais o que, curou a perna da minha mãe.Era a matriarca.Qualquer decisão teria que ter o seu aval.Quando minha mãe resolveu trabalhar na vila mais próxima e conheceu um italiano e engravidou do meu irmão,ela teve todo o apoio da minha bisavó ao recusar o pedido de casamento,quando ele foi falar com minha avó.Minha bisavó só perguntou pra minha mãe:¨ você quer se casar com ele?¨Minha mãe respondeu: “não”.Ela falou:”não haverá casamento”.Minha avó quase teve um enfarto cerebral.
Esta decisão levou minha mãe a trabalhar na roça numa disciplina mais rígida por quase 3 anos.Daí, o pároco de uma cidadezinha mais próxima e muito chegado a minha bisavó,devido aos remendos perfeitos e ajudas com a feitura de doces para ajudar a igreja,solicitou uma pessoa de confiança para
trabalhar na casa de uma família. Essa família estava encontrando muitas dificuldades com o pai idoso e viúvo a pouco tempo.
Minha bisavó não teve dúvidas.Indicou minha mãe.Não sei como aconteceu,talvez o medo de perder o emprego,já que havia uma grande aversão da minha mãe pelo viúvo idoso.E assim, ao se descobrir grávida fugiu pra Vitória, capital do ES.Ficou meu irmão pra trás com minha avó.
Então, nasci em Vitória com a ajuda da Maria Babisk,amiga e de origem polonesa que morava numa chácara em Paul.Ela era uma espécie de madrinha do romance da mamãe e o meu padrasto.Me lembro do grande amor fraternal da minha mãe pela Maria que já tinha um filho de nome Joel.Não gosto nem de imaginar o tanto de tempo sofrido, naquela época,com filha no colo,trabalhar pra manter a mim e a ela.
Foi aí que surgiu o meu padrasto.Ficou apaixonado e assumiu minha mãe comigo junto.Então,eu tinha contato assíduo com Maria já que estava constantemente no sobrado onde passamos a morar.Por isto me lembro tão bem dela.Principalmente no dia em que ouvi a porta da escada bater e fui ver quem era.Minha mãe veio correndo dizendo: “to aqui,venha Maria”, e ninguém apareceu.Minha mãe perguntou: “cadê a Maria?” “Ela tava me chamando...” devo ter respondido: “não sei, só ouvi a porta bater e vim ver quem era...” no outro dia, à noite veio a noticia: Maria tinha sido atropelada no passeio onde esperava um ônibus no Rio de Janeiro.Morreu na hora.Estavam indo parentes pra buscar o corpo.
Após três anos,mamãe se desentendeu com meu padrasto e foi até onde estavam seus familiares e entre eles o meu irmão.Viajamos de trem e em Colatina pegamos um ônibus para encontra-los.Após umas 5 horas de viagem chegamos ao nosso destino.Ficamos na casa de um Tio que já estava nos esperando.Como já estavam todos combinados,dormimos e no outro dia, chegaram minha avó,seu marido,meu irmão e a tia Judith.Eu com uma boneca de papelão do tamanho de um bêbê,com roupa de papel crepon.Meu irmão se escondia atrás da minha avó pra não abraçar mamãe.Dormimos e no outro dia...cade minha mãe?...Foi embora.Eu? Tive de acompanhar os parentes por quase um dia inteiro, a pé.Se sentia alguma coisa,não me lembro.Acompanhava calada as pessoas estranhas e tudo era novidade.Nunca tinha visto formigas. Quando via formigas grandes, parava pra ver e todos riam da minha ignorância.E assim era com tudo.
Ao chegar no nosso destino entramos em uma casa de tabuas com gretas entre as tabuas e de cara um fogão à lenha com bancos dos lados.Minha bisavó,pegou minha mão e me colocou sentada sobre um banco ao lado do fogão.Me entregou um prato de ágata, com feijão em caroços,um pedaço de polenta, arroz e um pedaço de carne.
Ao receber o alimento, ia pegando os caroços de feijão e empurrando pelas gretas das tabuas.Acho que a única a perceber foi minha bisavó que pegou uma faca e cortou bananas de um cacho pendurado no teto e colocou nas brasas do fogão á lenha. Pegou meu prato, descascou as bananas quentes e me devolveu o prato com bananas assadas nas brasas sem os outros alimentos.Comi tudo.Desde então,fui oficialmente adotada por ela e durante minha permanência com eles, nunca mais nos separamos. Até pra dormir, dormia no canto da sua cama. Quando ela era chamada para fazer algum parto e a pessoa que a chamava não tinha condições de mandar animal pra irmos á cavalo, seguíamos trilhas,as vezes, debaixo da lua cheia, ela na frente com seu embornal de apretechos de parto e eu atrás, seguindo-a. Quando minha mãe retornou pra me buscar, eu chorava tanto e gritava não querendo ir.Precisou dela me pegar no colo, em gritos e me colocar no colo da minha mãe pra que me resignasse ,por aquele momento de despedida e final de um ciclo.
Consegui segurar pedaços da história da minha bisavó.Sua mãe se chamava Francelina e fora criada com pessoas que lhe ensinaram culinária,fazer rendas e obediência.Ela era resultado da união de índio com branco. Seu marido se chamava Marcelino.Ele era mulato e tinha sido ou era feitor de escravos.Francelina, parece, sentia amor pra valer pelo filho da sua família protetora.Como tinha aprendido direitinho a cartilha da obediência, aos 13 anos se casou com o escolhido da família que não era o seu amor, pra evitar problemas futuros.A partir daí,levava a família muito a sério..Das suas filhas, somente a minha bisavó e outra irmã,aprenderam a arte de fazer doces e trazer crianças dos seus semelhantes ao mundo.
Dona Brasilina,minha bisavó, como era chamada, era o dinamismo personificado.Não gostava muito de falar mas vivia fazendo Hum... rum... rum... rum...rum melódico e baixinho, enquanto estivesse fazendo qualquer atividade.Uma lembrança que amo recordar é quando íamos tomar banho no rio.Ela tomava banho de combinação(peça intima utilizada por baixo de qualquer vestido.Era do mesmo tamanho do vestido ,só que de alças.).Usávamos sabão feito em casa.Ela sentava numa pedra e como eu era muito pequena, me punha numa pedra maior, atrás dela, pra ajudar a enrolar os longos cabelos que iam pra baixo da cintura.Adoro me lembrar disso.
Como também gosto de imagina-la, cuidando em total silencio, do meu bisavô que voltou alquebrado e doente para a família.Ela cuidava,dava banho,alimentava-o mas não respondia o que ele perguntava ou qualquer outra palavra era dirigida a ele.(Fiquei sabendo muito depois pelos parentes).Até que minha avó, chorando pediu: ¨mãe pelo amor de Deus perdoe o papai.Ele está agonizando e não consegue morrer esperando sua fala de perdão¨.Ela se levantou de onde estava, se dirigiu para o quarto onde estava meu bisavô.Todos a acompanharam e viram e ouviram: “ Vá em Paz.Você está perdoado.Eu o perdôo”.Isto dito olhos nos olhos e ele apertando sua mão.Ela se desvencilhou da mão dele, voltou pra onde estava sentada, fora do quarto.Ele se foi de madrugada.É isso ai vó, “quem nasceu pra dois mil réis pode sim, pode chegar não a um milhão, mas vários milhões.”
O meu carinho e amor pra você, onde quer que esteja.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Registro de Nascimento


O Registro de Nascimento

Você tem ´arvore genealógica? Não? Não sabe dos seus antepassados? Suas origens? Nem o básico? Mãe, Pai?
Se vc é deste século ,talvez isso não tenha o menor peso.
Mas se nasceu no ano de 1940,isto é, no século passado, aí, não parece muito simples ou comum, até começar a estudar em escola publica.Quando se matriculava numa escola nos anos de 1946 ou 47, e alguém ou todos podiam ter acesso a secretária da escola, teria alguns problemas.
Os problemas surgiam quando no seu registro de nascimento, constava apenas o nome da mãe.Na linha pertencente ao pai, ficava em branco.
Por que será, pelo amor de Deus, não poderiam pensar ser alguma virgem que por obra do Divino Espírito Santo, deu a luz a um anjo?Não naquela época.Ali,naquela linha em branco sem o nome de um homem queria dizer o seguinte da coitada da mãe: mulher sem princípios,pobre, rejeitada por alguém do sexo masculino,sem família para defende-la,baixo nível intelectual, não soube lutar ou morrer para defender sua honra. Literalmente era a escória da sociedade daquele tempo.Quando isto era alastrado por algum professor ou aluno mais atrevido que tivesse acesso as fichas da secretaria,então vc teria sua marca bem registrada. Seria apontada com o dedo.Como eu não entendesse direito o que acontecia, era obrigada a desconfiar de algo muito estranho no reino da Dinamarca.Se a diretora da escola a escolhesse por simpatia ou piedade para eventos da escola,então correria sério risco de ser apedrejada na saída da escola. Seria o bullying que acontece no momento?Acredito que sim, embora na atualidade, se tenha poucos registros no ensino de 1ª a 4ª série, por algum motivo que não quero comentar.Os registros mais assíduos ocorrem a partir da 5 ªe 6ª série.
No meu tempo era discriminada não pelo físico ou algo em mim,mas por falta da escrita de um nome do sexo masculino, numa linha que vinha em branco num pedaço de papel me identificando..Faltava o nome de um homem.pra colocar numa linha destinada taxativamente por um homem, em um papel de registro de nascimento.Ninguem tem nem noção das situações constrangedoras resultantes de tal fato.Resposta errada era ovacionada pelos colegas com os dizeres...”è a sem pai ¨ ...de mãe vadia....Eu não sabia bem do que se tratava , mas sentia algo contra minha mãe.Então, voava em cima do agressor e mordia dava tapa, e chorava sem nem saber direito do que se tratava.Em casa,minha mãe,ficava angustiada por me ver arranhada e despenteada querendo saber o que acontecera.Por instinto, sabia não poder contar o ocorrido.Sentia sem saber , do machucado triste que causaria.Nos duas,sem defesa ou ninguém por nós.Então mentia descararadamente:ah! Foi o menino que me acusou de ter pego sua caixa de lápis de cores...., Nesses momentos,surgiu um anjo da guarda na forma física da diretora de nome Isabel.Ela sabia da minha mãe não saber de nada ocorrido na escola,quando conversava com ela.Acho, que a partir de tais conversações com minha mãe, a Dona Isabel entendeu que eu tinha de agir mais como uma protetora e não como protegida.E ela devia ficar imaginando como uma criança de 6 a 7 anos poderia ter este tipo de comportamento.E assim, se tornou meu anjo de guarda ferrenho.
Graças a ela, a diretora da escola , fui amparada,protegida e guardada contra violências dos colegas ou professores mais insensíveis.Não podia completar exercícios sobre árvore genealogica e nem saberia explicar o porque da inexistência do pai.Porém, mais tarde quando fiquei sabendo da história,bati palmas pra minha mãe, que tinha se recusado a usar o fato da gravidez, para impor alguma responsabilidade, ou por decisão, achar que eu merecia alguém de peso para constar no meu registro de nascimento.E olhe ser a minha mãe, criada na roça, nunca tinha ouvido falar em ética ou definir dignidade.E assim, terminei o primário e admissão em escola pública para o ginásio com certidão de nascimento sempre incompleta.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cais do Porto



http://www.youtube.com/watch?v=rkAmvwBfKKo
O CAIS DO PORTO


O cais do Porto em Vitória ES,era uma área bonita, atrativa e ladeado por uma espécie de muro largo e baixo que dava até pra gente sentar e ficar balançando as pernas, enquanto tomava sorvete de casquinha. Esta espécie de balcão ou murada,separava o mar do passeio da rua.Lá pelos anos de 1951 até 1953,era um dos meus passeios favoritos, embora já ouvisse de norte a sul de Vitória, ser ali um espaço suspeito e não adequado para moças ou senhoras “distintas”.Instigava algumas amigas para o passeio e sempre ouvia a mesma resposta negativa e cheia de horror..Então...ia sozinha.
Andava devagar pra não perder nenhum detalhe dos navios atracados bem ao a longe do cais que iam se iluminando ,nos últimos momentos do entardecer pra receber a noite.Os navios assim iluminados,pareciam lindas casas flutuantes sobre o mar. Dependendo do vento ou da brisa,dava pra se ouvir nitidamente os sons de música, vozes rindo,conversas e movimentos no interior dos navios.
Havia grande preconceito com os moradores das casas flutuantes sobre o mar.Eram chamados de embarcadicíos ou estrangeiros quando estavam em terra.A moça acompanhada por um deles,poderia ficar condenada pela comunidade e provocar comentários tipo:”...Os pais tão sabendo dela andar com embarcadicio?”, “... Quem ? Fulana? Vale nada não...ela anda com embacardicio...”Portanto, hoje entendo melhor minha mãe em prantos ,quando disseram pra ela que eu andava sózinha no Cais no Porto.¨Você quer me matar?¨ ¨Você é uma criança,(já tinha mais de ano que eu ia pro cais) e já ta falada¨ ¨Ainda bem que tava sozinha,mas tava lá.¨Isto depois de uma surra.
Mas hoje,penso que valeu tudo.Ficou um lindo quadro mental onde tudo colaborava para a magia.Lua cheia refletida no mar juntamente com o brilho das luzes acesas daquelas grandes embarcações,o vento falando baixinho e os murmurinhos da maré batendo mansamente nos pedregulhos abaixo da murada.Se eu fosse pintora tentaria transpor pra tela todo este contexto mental.
Como não sou pintora, reafirmo minhas lembranças e consigo ouvir vozes fortes e em bom tom, formado por um coral masculino, no acompanhamento do tango Tristeza Marinha.Eles repetiam tanto esse tango que acabei aprendendo a letra.A música conta a história de um marinheiro que foi pressionado por uma mulher de nome Margo.Ela levou o coitado a escolher: ou o mar ou eu.Ele a amava mas amava o mar também.Ele escolheu o mar e ela então, disse adeus.Ele seguiu solitário e sabendo que sempre chegasse em algum porto, ela nunca o estaria esperando.
Se tiv er interesse em ouvir .kicle aqui



Tú quieres más el mar
que azota el corazón Mi pena es tempestad
que azota el corazón
con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

me dijo con dolor
y el cristal de su voz se quebró.
Recuerdo su mirar
con luz de anochecer
y esta frase como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Yo le dije: "No"
y ella dijo: "Adiós".
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul y
en su pecho colgaba una cruz.

Mar...
Mar, hermano mío...
Mar...
En tu inmensidad
hundo con mi barco carbonero
mi destino prisionero
y mi triste soledad.
Mar...
Yo no tengo a nadie.
Mar...
Ya ni tengo amor.
Sé que cuando al puerto llegue un día
esperando no estará Margó.

Mi pena es tempestad
que azota el corazón
con el viento feroz del dolor.
Jamás la olvidaré
y siempre escucharé
sus palabras como una obsesión:
"Tienes que elegir entre tu mar y mi amor".
Triste, dije: "No"
y escuché su adiós...
Su nombre era Margó,
llevaba boina azul
y en su pecho colgaba una cruz.

Tal visão de todos cantarem em grupo, me encantava e ao mesmo tempo,entristecia muito,pois parecia que todos que acompanhavam o tango,com suas vozes, tiveram de optar entre uma Margot ou o mar.Me tocava profundo e dava vontade de chorar.
Anos mais tarde, ouvi uma versão de uma música italiana, feita pelo Chico Buarque de Holanda com o titulo de Minha História.Logo a associei ao tango Tristeza Marinha e comecei a imaginar se, por acaso,não tivesse ocorrido um grande desentendimento e a Margo , sem saber da sua gravidez disse adeus.O marinheiro, sem saber que tinha esparramado sua semente no ventre da amada, se foi.O menino Jesus conta então a sua história.
Tem algo sobre o titulo que parece teve de ser mudado pra ser liberada(época da ditadura),já que a música poderia ter cunho político.Então o Chico a registrou com o nome de Menino Jesus.Só depois retornou com o nome de Minha Historia.Não me lembro direito e to com preguiça de pesquisar...
Se alguém quiser ouvir a música do Chico,
http://www.youtube.com/watch?v=66For4DyLOcCLIKE AQUI PRA OUVIR O CHICO

Minha História
Chico Buarque
Composição: Lúcio Dalla / Paola Pallottino
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente, laiá, laiá, laiá, laiá
Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido, cada dia mais curto, laiá, laiá, laiá, laiá
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor, laiá, laiá, laiá, laiá
Minha história e esse nome que ainda carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus, laiá, laiá, laiá, laiá